segunda-feira, 27 de junho de 2016

Chicago, my kind of town

Faz um mês que deixei Chicago em viagem de férias e ainda sinto uma saudade imensa. Windy City ou Chi Town, como é chamada, sempre esteve em minha lista de lugares pra conhecer nos EUA. Queria muito viajar pro exterior nas minhas férias, mas não estava tão certa se iria mesmo, já que não tinha programado com antecedência, nem sequer tinha comprado a passagem, o que fiz apenas três semanas antes de viajar quando achei uma promoção imperdível pra lá. Com a passagem comprada, comecei a pesquisar acomodação e optei por encontrar algo bom, confortável e barato no Airbnb. Até então só tinha me hospedado em hotel, nem hostel tinha experimentado. Alguns amigos e pessoas conhecidas já tinham se hospedado através de anúncios feitos no site e gostaram da experiência. A minha foi ótima e pretendo usar mais vezes. Agora, vou contar um pouquinho sobre os meus dez maravilhosos dias em Chicago.






Dias intensos, com muitas caminhadas, descobertas e encantamento. Chicago é verde, é urbana, florida, tem praia, um lago imenso que parece mar, um rio repleto de pontes e cercado por arranha-céus absurdamente altos, bonitos, modernos e de diferentes formas.




Os famosos edifícios da cidade são parte da sua história de sucesso arquitetônico e a deixam ainda mais bela e interessante, mas sem arrogância e com ar sufocante que algumas grandes metrópoles podem causar. E os arranha-céus não estão apenas à margem do Chicago River.





Estão em toda parte que apresenta um contraste de natureza e construção do homem de uma forma aprazível diante das diferentes formas retangulares, com ponta em losango ou dourada, com estrutura de vidro ou em tom verde escuro, que é o tom da água do Chicago River. Eles são muitos em Downtown, na Magnificent Mile, continuação da Michigan Avenue, em frente ao Millenniun Park, podem ainda serem observados do Navy Pier em pleno Lago Michigan, bem de frente ou à distância em passeio na Brown Line do CTA - o metrô da cidade - em direção a Kimball, um bairro predominantemente mexicano. Um passeio a bordo do metrô de superfície é uma das formas de descobrir as várias caras de Chicago e se perder no Loop que o transporte faz em pleno centro, com as curvas entre os arranha-céus.




O mesmo metrô que me leva pra Oak Park, cidade vizinha a Chicago, literária e de veia arquitetônica pelas obras de Frank Loyd Wright. Imperdível pra amantes das duas artes que podem passar uma manhã inteira nessa cidade bucólica, linda e tão perto da capital de Illinois, onde está o museu de Ernest Hemingway e a casa onde o autor nasceu.





E avistar o rio de cima de suas tantas pontes, ou pela janela do ônibus ou do metrô ou dentro de um barco, só perde para a caminhada bem colada a ele, assim como dá pra fazer no Tâmisa. O rio se integra com Windy City, faz parte dela, com seus visitantes e moradores podendo desfrutá-la bem perto da natureza, caminhando, correndo ou num bar em fim de tarde como que ancorado no rio, o que já é um passeio e pode render uma bela happy hour se o dia colaborar, o vento não aparecer e o pôr-do-sol estiver chegando com as cores amarelas e laranjas refletindo nas águas.




É fácil andar por suas ruas planas e arborizadas, mais agitadas no centro e calmas nos bairros mais residencias, onde encontramos crianças habilidosas com uma bola de basquete nas mãos e até campos de futebol.




Em Downtown para se deparar com mais prédios que te fazem olhar pra cima como pessoas que amam avião costumam fazer. Se enveredar por ruas que não estavam nos planos, mas que traz surpresas agradáveis como um pub inglês chamado Elephant and Castle (o nome é de um bairro de Londres e penso que ela tá me dizendo, ainda sou sua preferida?), onde tomei a deliciosa irlandesa Guiness e ouvi belos rock americanos numa noite de domingo.


Caminhar nos lindos Millennium Park e Grant Park. No segundo, basta atravessar uma avenida e ficar de cara com o Lago Michigan e é impossível não ficar muitos minutos ouvindo o barulho d'água enquanto pessoas correm, andam de bike ou sentam como eu para apreciar ou talvez darem uma pausa nas andanças que a cidade convida pra fazer.




Andanças planejadas para comer a famosa deep dish pizza e na volta encontrar um Eataly e resolver entrar, pois ainda não visitei o de São Paulo. Ou caminhar numa espécie de calçadão do Navy Pier, sentindo o famoso vento que faz parte da vida da cidade e acompanhar os barcos que seguem no imenso lago sem fim. Caminhar até o Art Institute of Chicago e se emocionar com a numerosidade dos quadros impressionistas expostos e ainda se encantar com a arte americana.




Sair de lá e ficar mais um tempo no Millennium Park e observar o Cloud Gate ou The Bean refletindo os arranha-céus e as pessoas que lotam o local pra tirar selfies ou fotos pro álbum de formatura.



Não faltam esculturas na cidade, como o flamingo vermelho em Downtown, o que me faz lembrar que, bem ali, Ferris Bueler curtiu a vida adoidado e viu Chicago do alto da Willis Tower, de onde também vi a beleza dos arranha-céus que não eram miniatura e seu lago que continuava imenso e infinito a 414 metros de altura. 




De volta ao chão, vou até o United Center pra ver a estátua em homenagem à Michael Jordan, o maior do basquete. Infelizmente, o Chicago Bulls não se classificou para as finais e não pude assistir a um jogo como fiz na viagem pra Miami. Basquete, beisebol e futebol americano têm times em Chicago e é impossível não notar a paixão por qualquer um deles, seja no encontro com torcedores no metrô ou nas inúmeras lojas espalhadas pela cidade, que vendem de tudo, além das camisetas oficiais. 


Depois de um dia inteiro explorando a cidade, voltava de ônibus pra casa quando estava na região próxima à Michigan Avenue pra apreciar da janela o Lago Michigan e seus barcos ancorados e, ao chegar no ponto final, caminhava mais quinze minutos a pé, ao invés de pegar outro ônibus, principalmente em dias lindos de sol, com frio delicioso de 12 a 16 graus - alguns dias até com temperaturas um pouco mais altas - porque essa cidade tem que ser sentida em todos os seus cantos e é nas vizinhanças que encontramos mais rostos diversos, principalmente, de origem africana que tem forte presença nessa cidade tão multicultural e de povo simpático. 


Outro aspecto que faz de Chicago um lugar encantador, particularmente pra quem ama música, é a numerosa quantidade de músicos de rua em cada esquina, seja com uma banda completa ou sozinhos tocando saxofone, afinal é a terra do blues e do jazz, embora a música que represente o que é Chicago esteja numa das mais belas vozes da história, que fez uma música pra outra paixão de viajantes e bem mais famosa - tanto a canção como a própria cidade, mas que não tem a beleza dos versos que traduzem Chicago.





Esta é a cidade pra onde quero voltar em breve e me perder nas suas ruas, nos seus sons e na sua atmosfera sofisticada, convidativa, meio europeia, bem americana, amigável, bonita de dia, com céu cinza ou azul da primavera e atraente e maravilhosa à noite, com suas luzes iluminando a cidade e o caminho de quem por ali passa e não quer mais ir embora.