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Horror apenas no nome. Horrors faz show intimista e viajante

Terça-feira à noite, 05/05, um dia frio, mas lá fui pro show dos ingleses do Horrors, no Cine Joia. Casa pequena, com capacidade máxima de 800 pessoas. Antes de falar sobre o show, vou contar como descobri a banda. 

Eu ainda escuto rádio, muito pouco, mas procuro ouvir o que as emissoras estão tocando, principalmente as que tocam os gêneros musicais que eu gosto e artistas que estão despontando no cenário musical. Todos os dias no caminho do trabalho, eu escuto músicas que tenho no celular, mas também sintonizo essas rádios. Foi numa dessas situações que escutei The Horrors pela primeira vez. Na OI FM, que não existe mais e fez com que eu praticamente diminuísse muito o meu interesse em ouvir rádio. 

A música era Still Life, o maior sucesso da banda. E os locutores não costumam mais citar os artistas que foram tocados, então, eu não tinha ideia de qual banda tocava a tal música. Sabe aquela sensação de escutar uma música e ela te fazer tão bem? Ao mesmo tempo você não sabe quando vai escutá-la de novo e bate o desespero. 


Ouvir essa música de novo não era problema porque ela sempre tocava de manhã no mesmo programa, mas e eu continuava sem saber o nome do artista já que o locutor não falava. Fui pro Google e digitei frases da música, mandei e-mail pra rádio, procurei em sites que falam sobre música e nada. 

Aí a Cultura Inglesa organizou o seu festival anual e anunciou Franz Ferdinand como a atração principal. Como sou fã dos escoceses, não pensei duas vezes em ir ao show, ainda que já tivesse visto um show da banda e que o festival fosse de graça, o que levaria milhares de pessoas ao Parque da Independência, no Ipiranga. 

Além disso, aproveitaria para conhecer outros artistas britânicos que viriam para o festival. A música tocava vez ou outra apenas nessa rádio e eu desencanei de procurar. Foi em em texto do Andre Barcinski, jornalista que admiro, tanto pelo conhecimento musical que é incrível, como pela qualidade dos seus textos, que finalmente descobri a banda que tocava "Still Life".

Em texto sobre o festival,  Barcinski deu o seguinte título “domingo rola um showzão, e não é do Franz...”. Ele falava do Horrors e um vídeo com performance da música foi colocado no texto. Não acreditei quando ouvi e sabia, finalmente, a origem da tal música. Obrigada, Barcinski! Corri para conhecer os três discos deles antes do show e não gostei apenas do primeiro. O segundo e o terceiro, Primary Colours e Skying (que tem a Still Life), respectivamente, caíram no meu gosto desde a primeira audição. Uma pena que não pude virr a apresentação do Horrors no festival. 



A falta de organização do evento, que causou filas quilométricas, fez com que eu ficasse do lado de fora do parque e escutasse Still Life de longe. Consegui entrar somente na segunda música do show do Franz. Depois do caos que foi a entrada pro evento, mudaram o local e hoje o mesmo é realizado no Memorial da América Latina e tem entrada limitada, com emissão de ingresso pela internet, mesmo sendo gratuito. 

De lá pra cá, torci para que o Horrors fosse escalado em festivais como Lollapalooza, já que seria muito difícil, praticamente impossível virem sozinhos,  por falta de público considerável pra tocar em casas de shows. Mas foi bom não terem vindo em nenhum festival, para que viessem como atração principal em um evento menor, o Popload Gig, que busca trazer artistas não tão conhecidos e que fazem parte da cena alternativa.

O Show

Antes do Horrors, vi pela terceira vez o show do Boogarins, para mim, a melhor banda brasileira na atualidade e que faz um ótimo show. Gosto muito do som e torço para que se tornem mais conhecidos pelo público brasileiro. A escolha da banda de abertura partiu do próprio Horrors, que tinha visto o Boogarins em festival no exterior.

Como já falei do Boogarins no palco em outro post, apesar do ótimo show na terça-feira, ainda que sem grande recepção do pouco público que não chegou mais cedo pra ver a banda de abertura, vou direto pra apresentação do Horrors.

A banda subiu ao palco às 22h com "Chasing Shadows", faixa de abertura de "Luminous", de 2014, listado em diversas publicações de melhores do ano e na minha lista pessoal também. Esse disco e Primary Colours, o segundo da carreira da banda, dominaram o set list da apresentação, que também contou com algumas canções de Skying.



O som dos caras tem elementos de pós-punk, com o vocalista Faris Badwan vestido de calça e jaqueta de couro e muitos presentes com camisetas pretas de Bauhaus, The Cure; pitadas do rock feito pelas bandas de Manchester nos anos 90 e seu estilo shoegaze; uma lembrança de Suede e Depeche Mode em algumas músicas, mas com frescor e propriedade, que fez com que a banda também incorporasse teclados em suas músicas no mais recente álbum, o que já era perceptível em Skying, deixando o som mais dançante.

Logo nas primeiras músicas, fica nítida a execução das mesmas como em estúdio, mas com uma pegada que deixa o som mais pesado - independente do estilo musical -, mais rápido e mais intenso, o que faz toda a diferença ao vivo pra qualquer artista, ou seja, ser capaz de melhorar o que está feito e gravado. O show foi crescendo a cada música e todos os integrantes mostram personalidade no palco. 

As linhas do baixo de Rhys Webb, que desfila o instrumento com classe e precisão mais passinhos para esquerda e para direita e os riffs de guitarra de Joshua Hayward, totalmente hipnotizado e levando a guitarra até as caixas de som e voltando pra frente do palco, em harmonia com a bateria compassada de Coffin Joe e as intervenções precisas do tecladista Tom Furse, combinados perfeitamente com a voz soturna de Faris Badwan e as luzes verdes, vermelhas, amarelas e roxas sobre o palco.



O momento mais esperado do show era Still Life, aquela música que eu amava sem saber quem cantava. Desde o início vagaroso até a entrada dos sintetizadores, a sexta faixa de Skying é toda climática e única, sem correspondência exata com qualquer elemento citado como característico do som da banda e se torna ainda mais bela ao vivo, cantada por todo público presente, saudado por Faris diversas vezes, mesmo antes desse momento.

Luminous, além de abrir o show, brilhou no decorrer da apresentação com “In and Out of Sight”, “I See You” e a balada “Change your Mind”.

Outros momentos marcantes foram as presenças de Mirror´s Image (faixa de abertura de Primary Colours e que é a primeira música que escuto no dia, quando não é “Changing the Rain”, de Skying. Pois é, esses dois discos do Horrors, dia sim, dia não, são a minha trilha sonora matutina a caminho do trabalho, hahaha, e preciso acrescentar Luminous à playlist), “Three Decades”, “Sea Within a Sea”, em compensação à falta de mais canções de "Skying".

Para fechar, “Moving Further Away” – mais longa ao vivo, com Joshua Hayward abusando das distorções de guitrra em show à parte, final perfeito para uma bela apresentação de uma das melhores bandas surgidas na Inglaterra nos últimos anos dez anos em noite maravilhosamente fria em casa noturna no Centro quase Liberdade, na capital cosmopolita que se adapta inteiramente ao som dark-dançante-classudo do Horrors.


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