quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Espetáculo de música, empatia e profissionalismo!

E lá fui eu ontem assistir ao show do cara que era o responsável pelo melhor show da minha vida. E ele é capaz de me emocionar ainda mais do que há quatro anos! Com aquela coleção de músicas de uma banda que conheci quando meu pai colocava os discos deles para tocar e eu dançava aos cinco anos de idade pela sala e tentava cantarolar as músicas, sem ter a ideia de que se tratava do maior grupo de rock da história e que é o motivo por eu gostar tanto de música desde então; a outra coleção faz parte da consolidada carreira solo, com desfile de canções do ótimo álbum New, lançado ano passado.

Superação ou regularidade? Talvez essas duas palavras não definam o que é a experiência de assistir ao show de um Beatle e co-autor de, pelo menos, metade das melhores canções já escritas. E prefiro não definir algo que é atemporal e não soa nostálgico, ainda que o "na na na" de "Hey Jude" seja manjado, mas é cantado pela plateia extasiada, que repetiria o coro na saída do Allianz Parque, assim como aconteceu na saída do Estádio do Morumbi em 2010. 


Paul saudou os paulistas e decorou frases em português, sem soar falso ou demagógico e iniciou com "Eight Days a Week", seguida da nova "Save Us", engatando com "All My Loving". A linda Allianz Parque, nova casa do Palmeiras, já pulava, gritava e cantava sob forte chuva que aconteceu antes, durante e continuou no final do show e se misturava com as lágrimas da plateia.


Não há ápice no show, pois todos os momentos nos levam a estados diferentes de celebração. Lágrimas em vários momentos, sorrisos e suspiros em outros. Catarse no geral! Nem a execução de quatro músicas do disco mais recente deixou o público parado, mesmo que não sejam conhecidas por parte da galera presente e ainda fossem inéditas nas apresentações do Brasil, "Save Us", "New", "Queenie Eye" e "Everybody out There" foram aprovadas, tocadas com mais peso e ficaram ainda melhores do que em disco. 


"Let me Roll It", de riff delicioso, do segundo grupo de Paul, Wings, não deixa dúvidas sobre a qualidade da fantástica banda que o acompanha - palavras do próprio.




"Paperback Writer", "Back in the U.S.S.R", "Everybody Out There" também mostraram toda a competência dos escolhidos para acompanhar o Beatle, que teve vários momentos ao piano, em canções como "The Long and Widing Road".

Homenagens não faltaram. "My Valentine" para a atual esposa Nancy Shevell, "Maybe I´m Amazed" (uma das canções de amor mais belas da história) para a eterna musa e amor da vida, Linda McCartney, "Here Today" para Lennon e "Something" para George Harrison. A última é capaz de arrancar mais lágrimas do público ou as primeiras de quem, improvavelmente, ainda não tinha chorado. Paul começa tocando sozinho e canta os primeiros versos e o refrão da linda canção escrita pelo homenageado. Baixo, bateria e guitarra - com solo belíssimo e cortante - surgem depois e fotos de George são projetadas no telão. 




E ainda teve canções de "Sgt. Pepper´s", do "White Album", a "Eleonor Rigby", a "Lady Madonna", "A Lovely Ritta", a "Band on the Run", a sublime Blackbird, que atentava para conflitos raciais nos Estados Unidos, mais Wings, "Helter Skelter", "Live and Let Die", "We Can Work it Out" (aquela que nos ensina que "Life is very short and there´s no time to fussing and fighting, my friend"), "Helter Skelter", o quase "final" de Abbey Road (o meu segundo disco favorito; o primeiro, também é dos Beatles, Revolver) espécie de medley de três canções emendadas uma na outra: "Golden Slumbers", "Carry the Weight" e "The End".

O final da noite de ontem me deixou de alma lavada, por ter mais uma vez a oportunidade de assistir à apresentação do meu maior ídolo, eterno integrante da minha banda favorita. Um senhor de 72 anos que continua sendo relevante e cantando bem durante 2h40, tempo que poderia durar o dobro e eu repetiria hoje, se pudesse, mas espero repetir em outras turnês dele. 



Cara da pessoa no final do show: boba e muito feliz!
Já vi shows memoráveis de bandas/artistas de quem sou fã, até mais de uma vez, mas nenhum deles causa o impacto e a emoção de uma apresentação de Paul McCartney. Se você nunca assistiu a um show ou cansou de ir a outros que já viu, veja uma apresentação do Sir para presenciar um capítulo da história da música. "Só" isso!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Suecos incendiários e ingleses melhores a cada disco e show

Na última sexta-feira (14/11), São Paulo recebeu o evento "Live Music Rocks", com shows do Hives e Arctic Monkeys.

Ainda não tinha visto as duas bandas ao vivo e não poderia perder o show delas mais uma vez, pois as escuto desde o início de suas carreiras, principalmente o Arctic Monkeys, que lançou o seu melhor disco em 2013, o elogiadíssimo AM, enquanto o Hives faz shows eletrizantes, logo, recomendados.


Os suecos abriram a noite na hora marcada, às 21h30, com todos os integrantes vestindo smoking, que faz parte do modo como a banda vai se apresentar. Só que dessa vez, estavam todos de branco e dispensaram as cartolas. E agitaram o público, que ainda não tinha enchido o Anhembi, nos primeiros acordes de "Come on/Take Back the Toys", do quinto disco "Lex Hives", lançado em 2012, que ainda daria as caras no set list com "Wait a Minute" e "My Time is Coming".


Os shows do Hives são marcados pela energia contagiante dos seus integrantes e pelo carisma de seu vocalista, o elétrico Pelle Almqvist. Ele brinca com a plateia, faz piadas, tenta falar o idioma local (decorou algumas frases em português e falou boa parte em inglês, mas não se rogou em perguntar se a plateia falava sueco, hahaha) e rege o show da banda, sabendo entreter o público como poucos, desde a chamada para uma música menos conhecida até o momento em que ocorre problema em equipamento de som, com o vocalista preenchendo esse tempo sem deixar o interesse do público cair. E o primordial: a execução das músicas, que ficam melhores ao vivo, mais pesadas e rápidas, sem comprometer a versão de estúdio. Banda de palco, sem dúvidas!


Os outros discos também foram prestigiados e os pontos altos do show seriam com "Main Offender" e "Hate to Say I Told You So", música que apresentou o Hives ao mundo e é um dos melhores títulos de canções, e responsável por encerrar a abertura de uma hora cravada.


Cinco minutos após o horário marcado, às 23h05, o Arctic Monkeys entrou no palco tocando "Do I Wanna Know", faixa de abertura de AM. A plateia já estava ganha nos primeiros acordes da canção e antecipou a excelente receptividade do disco, com todos cantando junto com a banda.


O líder, vocalista e guitarrista Alex Turner é mais contido em suas intervenções com o público, mas se apresentou logo depois da primeira música, como sempre faz: "We are Arctic Monkeys, from Sheffield, Englaaaaand" e soltou alguns "obrigados", se desculpando pelo pouco conhecimento do português.



Alex Turner no comando dos macacos do ártico

O mais recente disco tomou conta do set list com mais oito músicas. Entre elas, as ótimas "Why´ d You Only Call me When You´re High", "Arabella", "One For The Road" e as baladas "N.1 Party Anthem" e "I Wanna Be Yours" que foi ambientada com um globo de luzes brancas e azuis, deixando um clima calmo e de romance no ar.

No decorrer do show os ingleses revisitaram o início da carreira com "Fluorescent Adolescent", canção perfeita sobre as aventuras realizadas nesse período tão atordoante da vida de cada um, que ultrapassou fronteiras e alcançou o primeiro lugar da parada de sucessos do Reino Unido em 2007 e "Brianstorm", impressionante faixa de abertura do segundo disco, "Favourite Worst Nightmare", espécie de "Smells Like Teen Spirit" dos anos 2000.

Resgataram ainda "Teddy Picker", "Dancing Shoes", "I Bet You Look on a Dance Floor", "Mardy Bum" e "505", canções que fazem parte do citado segundo álbum ou do primeiro disco "Whatever People Say I am, That´s What I´m Not". "Propeller" e "Crying Ligthning" de "Humbug", disco produzido por Josh Homme do Queens of The Stone Age, responsável por dar uma nova sonoridade ao som da banda, deixando-o mais adulto e encorpado, cartilha que foi seguida no posterior "Suck it and See", presente no show com a ótima "Don´t Sit Down Cause I´m Move Your Chair". 

Para quem ainda tinha dúvidas sobre a performance ao vivo da banda, o show de sexta provou que todos os integrantes estão cada vez mais entrosados e seguros no palco e dão o melhor de si, o que é facilitado pelo ótimo desfile de músicas de pouco mais de dez anos da já sólida carreira, sobretudo com as excelentes canções do prestigiado AM, autor do final da apresentação com "R U Mine".


O único ponto negativo não foi de nenhuma das bandas, mas da organização do evento ao estabelecer o início da primeira atração às 21h30, e a segunda e principal às 23h. Mesmo que a região do Anhembi seja de fácil acesso pela Marginal Tietê e ofereça ônibus e metrô próximos, não é possível utilizar o transporte público, que funciona no máximo até meia-noite e meia, mesmo horário em que acabou o show do Arctic Monkeys. Eu fui e voltei de carro e moro a vinte minutos do local, mas vi muita gente desesperada atrás de táxi ou pensando como iria voltar para casa. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Chuva em forma de música

São Paulo vive uma crise hídrica como nunca antes vista. E a falta de chuvas é assunto corrente em todos os lugares, como se esse fosse apenas o único ou o maior problema da seca. Quando ela (a chuva) cai, como tem acontecido nos últimos dias, o fato vira notícia de jornal; ou uma simples foto de alguém segurando um guarda-chuva já é motivo para comentários, ao contrário de anos atrás em que a água do céu vinha em abundância e até pedíamos para não chover tanto. 

Como adoro listas, principalmente as que falam sobre música, selecionei algumas canções que falam sobre a tão aguardada e nunca tanto amada chuva em SP.


The Cult, Rain. A primeira da lista anuncia a chegada da chuva. Nada mais apropriado do que iniciar com uma música que repete os versos "Here Comes the Rain". Ouvi muito o som da banda inglesa quando ainda estava conhecendo vários gêneros do rock e aprecio o vocal poderoso e distinto de Ian Astbury e a sonoridade com influências de pós-punk e hard rock. Ainda que a chuva da música seja uma metáfora e possa gerar outra interpretação, o "Here Comes the Rain" já virou mantra para a população e pode ser invocado numa dança da chuva. 



Adele, Set Fire to the Rain. A diva inglesa compôs "Set Fire to the Rain" para o seu segundo disco, intitulado 21. O real sentido da música não é botar fogo na chuva, mas "queimar" algo que não dá mais certo, pelo qual se tentou o impossível, mandando embora de vez. A música está na lista por ser uma das melhores canções, da então curta carreira de Adele, e falar da querida chuva, mas nada de pensar em mandá-la para longe como a cantora faz na canção, mesmo em sentido figurado. Jamais!


Jorge Ben, Chove Chuva. A bela canção está presente no primeiro disco do cantor, o clássico Samba Esquema Novo, de 1963. Jorge Ben anuncia que "chove chuva, chove sem parar" e depois pede que a "chuva pare e não molhe o seu amor". Maravilhoso!


Travis, Why does it always rain on me. A banda escocesa, na voz de Fran Healy, reclama porque sempre chove sobre ela. Ótima canção pop para ouvir numa tarde chuvosa.


Guns n´Roses, November Rain. Épico de quase dez minutos. Vídeo grandioso mostrando a megalomania da banda, mais um solo irretocável de Slash e clássico do hard rock, são os elementos da chuva de novembro cantada e tocada por quem já foi a maior banda de rock do mundo e uma das favoritas desta que vos escreve. Totalmente apropriada para o presente mês em SP.


Prince, Purple Rain. Outro épico sobre a chuva. Se fosse listar as vinte canções favoritas e as melhores baladas da história da música, Purple Rain estaria entre elas. Faixa título do sexto álbum desse artista singular e ótimo guitarrista, que faz um belíssimo solo nesta canção, que ainda traz o seguinte verso "eu só queria te ver sob a chuva púrpura". Arrasadora!


Madonna, Rain. Uma das melhores canções de Madge e talvez a sua melhor balada. Ao contrário da canção de Adele, esta música acredita que a chuva pode limpar a dor e trazer o amor. O vídeo, igualmente belíssimo, mostra Madonna morena e de cabelos curtos em um estúdio, depois cantando e, ao final, numa espécie de corredor em que a chuva cai, com um jogo de luzes que destaca o rosto da cantora. 


Garbage, Only Happy When it Rains. O maior hit da ótima banda norte-americana. Feliz quando chove, estado de espírito apenas quando a chuva cai, eis a mensagem do Garbage.


Supertramp, It´s Raining Again - Que cantemos como os ingleses, "It´s raining again". Que seja todo dia, toda hora. Ótima para ser ouvida em uma tarde nublada e esperar a chuva cair. 


Gene Kelly, I´m Singing in the Rain. Música perfeita, momento mágico do cinema. Sem mais digressões a respeito. Apenas um conselho: caso não esteja a caminho do trabalho ou de algum evento que requeira apresentação em traje seco, deixe-se banhar pela chuva, cante e dance sob ela, não saia correndo. Eu fiz isso num carnaval de rua este ano e foi libertador. Tenha um dia de Gene Kelly! 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Um basta à estupidez humana!

O segundo turno das eleições de 2014 foi realizado há mais de uma semana. Como falei no post anterior, as manifestações de ódio contra os nordestinos haviam sido feitas no primeiro turno, mas com a reeleição da presidente Dilma Roussef no último dia 26 de outubro, a hipocrisia e o preconceito velado contra os nordestinos foi escancarado nas redes sociais. 

Discursos de ódio são inteiramente diferentes de liberdade de expressão e mesmo que a discriminação contra pessoas de procedência nacional seja crime, não foram fatores capazes de impedir a fúria dos ignorantes e preconceituosos.



Ainda estou digerindo muito do que li, principalmente no Facebook, pois não são muitos "amigos" do Facebook que estão no meu Twitter.

Quero deixar claro que o meu repúdio à qualquer manifestação contra nordestinos e povos em geral, bem como em relação a negros, homossexuais e demais que sofrem preconceito, independe de ser um ou ter parentes ou amigos que sejam. 


Voltando às eleições. Não sei também se a indignação pode ser maior ou menor quando o ofensor não é "só mais um" na sua conta do Facebook, mas alguém que cresceu ou trabalhou com você, comigo e já demonstrou compaixão e respeito às mais variadas pessoas, além de você ter presenciado atos de indignação desses ofensores em outras ocasiões.  


No meu caso, a indignação foi ainda maior com pessoas em que eu acreditava "conhecer melhor", seja pelo convívio maior no trabalho, ou por parentesco, ou amizade e até tinha certa admiração, que acabou pelo fato de ter lido coisas absurdas, seja deslegitimando o voto do nordestino ou pedindo a separação do Brasil.


Uma amiga nordestina, que vive em São Paulo há anos, disse preferir acreditar que foi um surto coletivo, mas não creio nisso. Para mim, atitudes como as que presenciamos nas rede sociais depois do resultado das eleições, mostraram o pior de cada um ao destilar ignorância e preconceito enrustido e velado contra um povo, o próprio povo, que construiu o chão que os habitantes de São Paulo pisam, como escreveu outra amiga.


Sei que ainda não esqueço o que ouço e o que vejo, tampouco coloco panos quentes (mesmo que na hora fique em choque e calada e não tenha respondido certos posts, alguns retirados quando voltei à página, mas coloquei a minha posição em relação ao assunto em outros e na minha "linha do tempo" do Facebook) principalmente sobre o que me desagrada e o que me revolta e jamais passarão atos discriminatórios contra qualquer povo ou raça diante dos meus olhos. E espero que a justiça seja feita, assim como ocorreu com a estudante de Direito que teve o mesmo comportamento nas eleições de 2010, que não ficou impune ao propagar seu ódio contra os nordestinos, tendo sido processada e julgada pelo crime cometido.


Só espero que esses mais "informados", que votaram consciente, que queriam a mudança e o término da corrupção - como se antes fôssemos a Suécia - e clamaram pela separação do Brasil, não encham as redes sociais com as paisagens acachapantes do Nordeste no Ano Novo que está chegando, ou no Carnaval que não está tão longe, pois apenas irão confirmar a hipocrisia e o pior que carregam dentro de si.


E ocorreu em São Paulo, no último final de semana, uma manifestação que pedia o impeachment da presidente e foram levantados alguns cartazes pedindo intervenção militar. Não vou tecer comentários a respeito e quero acreditar que qualquer resquício de desejo pela volta de um período nefasto em nosso país, tenha ido para o lixo no mesmo sábado, assim como deve ter sido o destino desses cartazes.


Para terminar o texto, segue um vídeo maravilhoso compartilhado inúmeras vezes nas redes sociais. Reflitam bem sobre a clamada divisão do Brasil e a independência do Nordeste!