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E aí, abestados?

Depois de uma semana do primeiro turno das eleições no Brasil, venho me manifestar aqui neste espaço "meu". Fiz comentários em alguns fóruns, em páginas de amigos em redes sociais e no twitter, como também li ao máximo que pude reportagens de revistas e sites sobre variados candidatos e o desdobramento do resultado das eleições. 


Lemos coisas desagradáveis, comentários maldosos, mas que não se comparam, em minha opinião, ao preconceito contra os nordestinos. Assim como em 2010, internautas, para dizer o mínimo, destilaram seu ódio contra a população dessa parte do Brasil, após o resultado que mostrou a vitória da presidenta Dilma Roussef em estados nordestinos não só, mas também em estados do Norte e no Rio de Janeiro, porém, o alvo do ódio e preconceito sempre recai sobre os primeiros. 

Não bastasse o discurso de ódio proferido pelo candidato Levy Fidelix, no penúltimo debate entre os presidenciáveis, ocasião em que disse barbaridades nunca ouvidas em período eleitoral contra a comunidade LGBT, os odiadores dos nordestinos sentiram-se no direito de propagar o preconceito igualmente nas redes sociais, após a apuração dos votos no primeiro turno, sendo necessário explicar a diferença entre discurso de ódio e liberdade de expressão, como feito no caso Levy Fidelix, aos ofensores e defensores do discurso em campanhas pela internet!!!!


Interessante é que várias pessoas que condenaram o ato de Fidelix, cometeram o mesmo ato contra os nordestinos, ou seja, muda-se o alvo, mas o preconceito persiste.

A boa notícia é que vários internautas foram localizados através das suas contas em redes sociais e devem responder pelo ato, da mesma forma que a estudante de Direito Mayara Petruso, que destilou todo o preconceito desejando morte aos nordestinos, após anúncio da vitória de Dilma Roussef para presidente em 2010.

Passam-se anos, muitas coisas evoluem, tentam maquiar o preconceito, que não consegue se esconder por muito tempo e sempre aparece e revela o pior de cada um.

Importa ressaltar que a maior parte do preconceito contra os nordestinos vieram do Sul e de São Paulo. A votação em São Paulo é significativa na medida em que é o maior colégio eleitoral do Brasil e deu vitória a Aécio, com larga vantagem em relação à presidenta.

Inusitado, porém, é que o Estado orgulhoso por não ter dado vitória à presidenta e se acha superior e mais inteligente que os nordestinos tenha eleito/reeleito: homofóbico, palhaço, senador que já abandonou mandatos de prefeito e governador em busca de algo maior como a Presidência da República, para dizer o mínimo do candidato, e governador que deixa a maior universidade do país a beira do caos, hospital público que já foi referência na cidade sem condições de abrir as portas e a população com sede. Poderia citar mais três problemas do Estado, mas acredito que os mencionados sejam suficientes para mudança de quem quer mudança.

Contudo, fico pasma como a culpa pela crise hídrica tenha parado no colo do santo São Pedro e o governador seja quase canonizado, saindo ileso de quaisquer problemas causados no Estado durante a sua gestão. 

Se serve de consolo aos paulistas, principalmente, para reflexão sobre a empáfia e ignorância a respeito dos nordestinos, o Maranhão, estado do Nordeste, não elegeu a família Sarney, bem como o amado estado da Bahia, também do Nordeste, não deu votos suficientes para que os Magalhães continuem tomando conta dessa parte do Brasil, enquanto as figuras citadas acima foram eleitas sem contestação, com votações expressivas, sem chances de segundo turno quando possível, como no caso da eleição para Governador do Estado de São Paulo. 

O palhaço reeleito em São Paulo usa a expressão abestado. Quando eleito, os estudiosos e possíveis eleitores daqui, disseram que o voto era de "protesto". A reeleição agora comprova novo protesto? Estranho. E, claro, a inconformidade com a sua reeleição demonstra mais uma vez o preconceito dos inteligentes e superiores, por ser o palhaço nordestino, por não ter estudado, mas esquecem-se que os paulistas e estudados, alguns médicos, fazem ou fizeram menos que o palhaço, enquanto detém mais poder e aprovação da população do Estado e não sofrem preconceito algum, o que é muito perigoso.

Portanto, quem é abestado? Palavra que tem como sinônimos: bobo, idiota, mané. 

Ao invés de destilar preconceito contra o povo mais simpático, hospitaleiro, sofrido e lutador deste país, deveriam se olhar no espelho, para o próprio quintal, ao invés de olhar somente para o próprio umbigo e mostrar-se inteligente, dado que tem mais oportunidades e reside no estado mais rico, com as melhores universidades e hospitais do país (até quando não sei, em razão do momentos desses organismos jogados às traças) e fazer mudanças, tão desejadas e alardeadas! 

Porém, não realizadas, uma vez que elegeram/reelegeram as figuras mais conservadoras e que nada contribuíram para representação no Congresso, no Palácio e no Senado. Pelo visto, o "gigante" acordou no Maranhão e na Bahia, mas continua dormindo em São Paulo, reduto de quem acha que abestado é o outro, lá no alto do Brasil. 

Comentários

  1. Obrigada, Helô! Fico revoltada e triste com isso! E vamos lutar e não calar diante desses discursos! Bjs!

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