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QOTSA: Alto, pesado e perfeito!

O Queens of the Stone Age, californianos do deserto, tocaram pela quarta vez no Brasil, nesta quinta-feira (25/09). O show de ontem faz parte da turnê do excelente ...Like Clockwork, lançado em 2013. 

A diferença para os outros shows da banda em solo nacional é que o de ontem foi deles como atração principal e fora de festivais, um pedido antigo dos fãs.


De todos esses shows, não fui somente ao do Rock in Rio em 2001, quando a banda começava a ser conhecida do grande público. Depois desse, os vi no extinto festival SWU, em Itu. O show foi muito bom, mas era a primeira apresentação dos caras depois da estreia no Brasil e o tempo da apresentação foi reduzido por problemas de som, que impediram a banda de tocar por mais tempo.


Depois veio o show no Lollapalloza 2013. Mais um festival! Repito os shows dos artistas favoritos, mesmo em festivais, quando eles são muito bons em cima do palco e o Queens faz um showzaço e só melhora com o tempo. Eles ainda lançariam ...Like Clockwork, mas estrearam o primeiro single, My God is the Sun, neste show. São Paulo foi a primeira plateia no mundo a conhecer uma mostra do belíssimo disco. O show foi considerado por muitos veículos como o melhor do festival, em que poderiam ter sido a atração principal da noite e, logo, tocariam mais do que uma hora cravada. Este show foi ainda melhor do que o anterior.


Vamos voltar ao show do dia 25 de setembro, dia do meu aniversário, e ótima ocasião para eu comemorar mais um ano e iniciar o MEU ano novo. 


Antes deles, o guitarrista Alain Johannes tocou por quarenta e cinco minutos. O músico se apresenta apenas com violão e fez um aquecimento adequado para o barulho que viria depois. Johannes acompanha a banda em vários shows pelo mundo, além de tocar nas Desert Sessions, projeto paralelo de Josh Homme, bem como na outra banda do líder do Queens, Them Crooked Vultures, que ainda tem como integrantes John Paul Jones (Led Zeppelin) e Dave Grolh (Foo Fighters).


A banda entrou no palco às 22h10, tocando a porrada "You Think I Ain´t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionare", faixa de abertura de Songs for the Deaf, melhor disco do grupo, que teria outras músicas desfiladas no set list, engatando na sequência com o talvez melhor momento da carreira da banda, No One Knows. Mais adiante, a espetacular Go with the flow atropelaria tudo e a empolgante Do it Again arrancaria os característicos "hey" da plateia, no começo e na metade da música.



Quem acompanha a banda sabe que eles são ainda muito melhores no palco. As músicas crescem e ganham mais peso e velocidade, inclusive as mais lentas, porém, não menos pesadas de ...Like Clockwork. O sexto e mais recente disco foi presença constante em todo set list com oito faixas. Todas cantadas pela casa de shows, provando a excelente receptividade do disco e a desenvoltura do grupo com as faixas, sobretudo, o excelente baterista Jon Theodore, que entrou na banda em 2013 e já é o melhor baterista que o Queens já teve e empata com Dave Grohl em estúdio e ao vivo, além da coesão entre Josh e os guitarristas Dean Fertita e Troy Van Leuween, mais o baixista Michael Schuman.

As faixas de ...Like Clockwork merecem destaque quando tocadas ao vivo. Muitas são suingadas, permitindo-nos dançar sensualmente como faz Josh Homme, o homem do Queens e o ruivo mais maravilhoso do universo; outras mais lentas, porém, com guitarras cortantes que mostram a complexidade do som, mas todas ganham mais peso e velocidade ao vivo.


Além disso, Josh toca piano em algumas faixas do mais recente disco e faz delas momentos inesquecíveis do show. The Vampyre of Died and Memory, I Appear Missing e a faixa-título, emocionam.


Outros discos do Queens tiveram participação no set list. Rated R, de 2001, apareceu três vezes: The Lost Art of Keeping in a Secret, Monters in the Parasol e Feel Good Hit of the Summer. A última apresenta nomes de drogas apenas e é quebrada por uma forte linha de baixo que explode com a bateria e guitarra aceleradas, sendo intercalada com um trecho de "Never Let Me Down Again", do Depeche Mode. Luxo!


De Lullabies to Paralize, tivemos a execução de Little Sister, mais um momento agitado e dançante.


Do sexto disco, Era Vulgaris, ouvimos a tensa Sick, Sick, Sick, a ousada I´m Designer e a balada do Queens, Make it Wit Chu, que na verdade é sexy e nada tem de romântica. 


O primeiro disco foi representado por Mexicola, pedida pelo público logo no início do show e confirmada por Josh que seria tocada na noite. Rolou depois da metade e nos levou ao começo da carreira do grupo. Sem dúvidas, um dos grandes momentos do show.


E o melhor disco, Songs for the Deaf, não só abriu a noite memorável, mas foi com ele que a banda se despediu, tocando a barulhenta e longa "A song for the Dead". Rodas de pogo se formaram nessa hora, público pulando e balançando a cabeça em aprovação ao talvez melhor show do ano (empatou ou passou Arcade Fire? Pensarei depois a respeito), visto até agora, em espetáculo da banda no seu melhor momento, tocando por quase duas horas, em casa lotada, abafada e sedenta pelo show solo mais esperado e aplaudidíssimo dos últimos anos.


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