terça-feira, 15 de abril de 2014

O meu Lollapalloza 2014

No domingo do dia 06 de abril foi o segundo e último dia da terceira edição de Lollapalloza Brasil, realizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, depois de duas edições no Jockey Club.


Eu e mais dois amigos optamos pelo transporte público para ir e para voltar do festival. Pegamos metrô e trem da CPTM, que nos deixou a vinte minutos do Autódromo. A CPTM disponibilizou mais trens e embarcamos tranquilamente, tanto na ida como na volta. O melhor de tudo isso é que, tanto a linha amarela do metrô, como a linha da CPTM que vai ao Autódromo, foi tomada pelo público do festival. Camisetas de variadas bandas, arcos de flores e camisas da seleção brasileira eram vistos e deixavam a certeza de se estar num festival.



Fazia um calor intenso de trinta e dois graus, que exigiu esforço, principalmente para pessoas que não fazem exercícios como eu.

Dentro do autódromo, mais caminhadas de um palco a outro. Exige-se mais de quem pretende assistir shows diferentes, fato comum e que diferencia um festival, mas em razão do espaço bem maior do que o Jockey, ficou mais fácil circular lá dentro e ver os shows do Palco Ônix, de onde vimos o Soudgarden no começo da noite, mesmo estando longe do palco.

O primeiro show que assistimos foi do quarteto feminino londrino Savages. A banda tem apenas um disco, Silence Yourself, lançado em maio de 2013. Revisitam o pós-punk inglês com identidade e agrada fãs de Siouxie and The Banshes e Joy Division, ingrediente que me agrada e fizeram com que eu virasse fã, tanto que o disco de estreia do grupo foi um dos que eu mais ouvi ano passado e a vinda delas se tornou um dos motivos para eu ir ao festival. As quatro integrantes entraram no palco, vestidas de preto, e o único item colorido era o sapato rosa da vocalista Jenny Berth. 

Savages
O sol escaldante e o visual das garotas poderia ter criado um anticlímax, não fosse a competência da banda ao vivo, executando quase todas as canções do disco Silence Yourself com perfeição, com destaque para She Will, No Face, City´s Full e Husbands, na bela voz de Jenny, que tem uma presença de palco incontestável e que faz falta a outros frontman/woman mais experientes e com anos de carreira nas costas. Além dela, as outras três integrantes tocavam com a energia de poucos e Jenny tentava se comunicar com a plateia, arriscando mais de três frases em português e agradecimento com "obrigada" várias vezes. 


Ao término do show, a sensação era de que poderia ouvi-las por mais uma hora, só que num lugar menor e fechado, repleto de fãs, vários deles conquistados nessa apresentação.



Depois do início “selvagem”, como jornalistas definiram a apresentação do Savages, paramos para comer e beber. Para esse ano, além das barracas de lanches e salgados, o festival criou o Chef´s Stage, no mesmo esquema do Chefs na Rua. A ideia deu certo e era possível degustar pratos de chefes conhecidos de restaurantes renomados por R$ 15,00 a R$ 20,00. O local funcionou muito bem, com espaço paro o público se alimentar lá dentro e o atendimento para adquirir fichas e comprar a comida foi rápido. Eu escolhi um risoto de lingüiça calabreza e hot dog francês.

Seguimos para o show do Pixies. Foi a segunda vez que vi a banda. A primeira foi no finado Festival SWU. A apresentação no Lolla foi melhor do que a anterior. A banda tem ótimas músicas, influenciou vários grupos, inclusive o Nirvana, que é uma das minhas bandas favoritas, mas não faz um show tão empolgante, porém, bastaram tocar sucessos como “Here Comes Your Man”, “Where is My Mind” e “Monkey Gone to Heaven” para fazer a alegria da galera no início da noite.





Mais caminhada para chegar até o palco onde o Soundgarden se apresentaria. A banda nunca esteve no Brasil e voltou com novo disco, King Animal, lançado em 2012. Ingredientes suficientes para lotar o palco. 

O Soundgarden fez parte do movimento grunge e colocou Seattle no mapa da música, junto com Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains. A minha paixão pelo rock alternativo começou com essas bandas no início dos anos noventa e não podia deixar de assistir o galã Chris Cornell desfilar canções que embalaram a minha adolescência. “Outshined”, “Black Hole Sun”, “Spoonman” e “Jesus Christ Pose” foram tocadas na primeira parte do show, que ainda teve “The Day I Tried to Live”, “Rusty Cage”, a balada “Blow up the Outside World” e “Fell on the Black Days”. Um ótimo show com um gosto de nostalgia. 



Saímos um pouco antes do término do show do Soundgarden para pegarmos o Arcade Fire desde o início. A banda veio ao Brasil em 2005, no extinto Tim Festival e tocou antes do Strokes!!! Quem diria? Anos de espera fez com que a banda lançasse, nesse período, mais três discos, entre eles, o recente Reflektor, um dos melhores de 2013. O álbum é inspirado no filme brasileiro Orfeu e a abertura do show trouxe imagens filme. 

A abertura magnífica com Reflektor, faixa-título do disco, antecipou e deu certeza de que seria um espetáculo da banda na sua melhor forma, com quatro discos ótimos e em plena forma no palco. O set list prestigiou músicas dos quatro discos. 

De Funeral, o primeiro e meu favorito, ouvimos Rebellion (Lies), três Neighborhood (Laika, Power Out e a belíssima Tunnels), Haiti e Wake Up, que falarei no final do texto. No Cars Go foi a única representante do denso Neon Bible. Para The Suburbs, escolheram Ready to Start e a faixa título, introduzida por Win Buttler como “uma música que fala sobre saudade”, a frase toda em bom português. As músicas de Reflektor funcionaram bem ao vivo e o “set list” ficou bem equilibrado, com momentos de todos os álbuns da carreira. No meio disso tudo, ainda teve trechos de "O Morro Não tem Vez" de Tom Jobim e "Nine of Ten" de Caetano Veloso. Como se não bastasse a qualidade sonora, as luzes do palco e as imagens do telão engradecem o show da banda, que até faz chuva de papel picado sem ficar brega.


Para o final, Wake Up, de Funeral, que fecha todos os shows da banda. Sonhava em cantar a letra e o Ooohh ooohhhh no começo e repetido no meio da canção ao vivo. Final apoteótico para um show perfeito de uma sinergia entre público e banda como poucas vezes eu vi. Era a última música e o término do festival, mas os momentos inesquecíveis ficarão para sempre, ainda mais sobre esse show que é um dos melhores da minha vida.


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