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As várias artes de David Bowie

reportagem que fiz e foi publicada originalmente na Revista Arruaça, da turma de Jornalismo Cultural, da pós-graduação em Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero


David Bowie 1_Renata Gomes
Crédito: Renata Gomes de Castro
A exposição de David Bowie, organizada pelo Victoria & Albert Museum de Londres, chegou a São Paulo no final de janeiro e ficará em cartaz até o dia 20 de abril no MIS (Museu da Imagem e do Som).
O acervo conta a história do cantor inglês que revolucionou a música e a cultura pop. Objetos, roupas, partituras e instrumentos musicais, dentre outros itens, podem ser vistos na mostra.
As roupas que estrelaram capas de disco e foram usadas em turnês são destaques na exposição. O macacão listrado, criado pelo estilista japonês, Kansai Yamamoto, para a turnê “Alladin Sane”, de 1973, a jaqueta “Union Jack”, nome da bandeira britânica, feita pelo estilista inglês Alexander McQueen e o smoking que impedia os movimentos do cantor, que contou com auxílio para ser retirado do palco em apresentação do programa “Saturday Night Live” em 1979, além de outros figurinos, comprovam a preocupação do astro com a sua imagem e a criatividade no campo da moda.
Ainda que os figurinos sejam destaque, a própria música de Bowie está representada em partituras musicais, letras de música e capas de disco, incluindo o encarte de “Next Day”, álbum lançado em 2013. Um dos fatores mais interessantes é receber um fone de ouvido para escutar as canções do músico durante a mostra. O aparelho é entregue logo no início e a música tocada muda de acordo com a sala de exposição. Além de músicas, há momentos em que ouvimos trechos de entrevistas do próprio Bowie ou de terceiros falando sobre a carreira do camaleão do rock.
Numa das salas, é possível tirar o fone para escutar o som alto dos telões que mostram trechos de shows. A vontade de ficar nela é enorme e o desejo de assistir a uma turnê do músico é ainda maior.
Arruaça-David Bowie 2 - Renata Gomes
Crédito: Renata Gomes de Castro
A veia artística para a sétima arte também faz parte do acervo, com fotos e imagens de filmes como “O homem que caiu na Terra”, a “Última Tentação de Cristo” em que interpreta Pilatos, e “Basquiat – Traço de uma vida”, em que encarna Andy Warhol, um dos artistas que mais influenciaram o músico, tanto que o clássico disco “Hunky Dory”, de 1971, tem uma música com o nome do cineasta e pintor. Com a citação de alguns personagens vividos pelo cantor no cinema, é possível constatar que a versatilidade do artista não se restringe à música.
Nessa esteira, importa destacar que o clássico do cinema “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick, inspirou a criação da personagem “Ziggy Stardust”, que revolucionou a história da música nos anos setenta, sendo que a temática pode ser ouvida e sentida no álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, de 1972, obra em que o artista mostra estar à frente de seu tempo.
Na última sala da exposição, nos deparamos com a infância do cantor e o começo de sua carreira musical. A placa da Stansfield Road, rua em que morou com a família em Londres – sua cidade natal – fotos 3×4 do cantor aos dez meses de vida, estão no mesmo espaço onde pode ser visto o primeiro instrumento musical de Bowie – um saxofone dado de presente pelo pai – e o violão usado no disco “Space Odity”, de 1969.
A exposição é uma viagem pela vida e arte de um dos maiores ícones do rock, que revolucionou a cultura pop e ainda contribuiu para o cinema, teatro e moda, com versatilidade e espírito inventivo, que permeiam toda sua obra. 
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