terça-feira, 29 de abril de 2014

OS CAMPEÕES DO MUNDO NA COPA DO BRASIL

As eliminatórias da Copa de 2014 chegaram ao fim, com a definição das trinta e duas seleções que desembarcam no Brasil para a disputa do evento esportivo mais assistido do planeta.

As últimas vagas foram decididas no dia 20 de novembro de 2013, com a classificação de México e Uruguai na repescagem. A classificação uruguaia garantiu ao mundo assistir os oito campeões mundiais disputando a taça em 2014.

Uma Copa do Mundo com todas as seleções que se sagraram campeãs, é especial para o amante do futebol. Primeiro, pela tradição desses países no esporte e pelo número de craques que fizeram partidas memoráveis na história das copas. Em segundo lugar, pela técnica futebolística de que carecem países inexpressivos no esporte ou de campanhas irregulares, sem triunfo para o alcance da elite do futebol.

Após a classificação do Uruguai, a Puma, patrocinadora oficial, criou uma campanha publicitária inspirada no famoso Maracanazo, ocasião em que os uruguaios venceram o Brasil na final da Copa de 1950, no Maracanã. No comercial, um fantasma coberto de azul celeste, cor do uniforme do time, e com o número cinquenta estampado nas costas, percorre as ruas do Rio de Janeiro assustando os brasileiros e sobrevoa a capital carioca no bondinho, samba na Apoteose e sobe o morro, até chegar ao Maracanã. No final da propaganda a seguinte frase: “o fantasma de 50 já está no Brasil”.


Só que o fantasma da celeste não é assustador como foi um dia e a difícil passagem pelas Eliminatórias pode prejudicar o sonho uruguaio. Será necessário reformular o time para repetir o feito obtido em 2010, quando alcançou a semifinal da competição e ficou com o quarto lugar.

Campeã em 1998 contra o Brasil, a França é mais uma seleção classificada para a Copa de 2014. Como o Uruguai, garantiu a vaga apenas na repescagem, tendo que reverter derrota de dois a zero para a Ucrânia.

Depois de uma participação vergonhosa com a eliminação na primeira fase da Copa da África do Sul, os bleus tentam se estabilizar para chegar ao Brasil como um dos favoritos, por serem campeões mundiais e berço de deuses do futebol como Platini e Zidane. Não será fácil, sobretudo, com olhares duvidosos e reprovativos, diante da segunda classificação obtida com gol irregular, causando a eliminação de outra seleção para disputa do Mundial.

A Argentina, eterna candidata ao título, carimbou o passaporte com mais facilidade que os uruguaios e os franceses. A estrela do time, Lionel Messi, eleito o melhor jogar do mundo por quatro vezes e um dos melhores da história e ainda é o melhor jogador em atividade. Ele encanta plateias em todo o mundo com gols espetaculares, passes perfeitos, mas tenta se livrar da fama de jogador que ainda não venceu uma Copa do Mundo e, por isso, estaria relegado à lista dos melhores de todos os tempos. A Argentina precisa de Messi e os amantes do futebol agradecem a oportunidade de assistir um dos melhores jogadores do mundo em ação.

Grande rival da França e da Argentina no campo político e levando a rivalidade para dentro de campo, a Inglaterra conquistou a vaga em jogo realizado no Estádio de Wembley contra a Polônia.

O English Team contou com boas atuações dos seus jogadores e com o talento de Waine Rooney para abrir o placar. Os últimos momentos foram decisivos, com a tentativa de empate da Polônia, que poderia igualar o placar com a habilidade de Lewandowski, que não brilhou a ponto de classificar os poloneses. A vaga direta, sem o risco de passar pela repescagem, foi definida no final do segundo tempo com um gol de Steven Gerrard. Os inventores do futebol vêm ao Brasil com um dos melhores times formados nos últimos anos e são favoritos como todos os campeões.

Certo é que as arquibancadas brasileiras ouvirão muitos cantos da torcida do país do futebol, que mostrará toda a sua paixão pelo esporte, através de inúmeros ingleses que lotarão os estádios.

Ao lado dos súditos da Rainha, os alemães serão muitos na Copa de 2014. E não é para menos! A seleção alemã é uma das fortes candidatas ao título, não apenas pela tradição e conquista de três copas e participação em sete finais de mundiais, mas por ser a seleção que, atualmente, é tão boa ou melhor que a Espanha.

O surgimento de jogadores ano a ano parece ter se transferido do Brasil para a Alemanha. Do goleiro, ao titular da camisa 11, sobram nomes que fazem a diferença. Afinal, alguém dispensaria o melhor goleiro do mundo, Manuel Neur; um dos melhores laterais, Philip Lahm; a elegância do meio campista Mezut Ozil; além de Bastian Schweinsteiger, Mario Gotze, Thommas Muller, Mário Gomez e mais jogadores capazes de montar outro time?

Desde a Eurocopa de 2006, apresenta um futebol envolvente e impactante. Depois do terceiro lugar em 2010, os alemães podem erguer a taça no Maracanã. Competência e eficácia não lhe faltam e um pouco de sorte pode acompanhar a Alemanha na busca pelo quarto título.

Única seleção que pode alcançar o Brasil em número de vitórias, a Itália é a campeã que mais inovou, deixando pra trás o espírito retranqueiro de jogar bola, criando esperança nos torcedores que arriscam a disputa do título frente à Alemanha e a Espanha. Conta com a simpatia e a torcida dos brasileiros para eliminar outros campeões.

A atual campeã chega como favorita à conquista do bicampeonato mundial. A Espanha faz a lição de casa desde 2008 e esbanja futebol de passes curtos, marcação eficiente e toques de bola não mais vistos pelos torcedores brasileiros. Um embate com os alemães seria inesquecível e o torcedor seria presenteado com o melhor do que se pode jogar nas quatro linhas. 

Maior campeã da história das Copas, a seleção brasileira tenta o hexacampeonato em casa. Incertezas sobre nomes que representem o time, baixo desempenho em amistosos disputados, queda nas quartas de final dos três últimos campeonatos mundiais e a vitória na Copa das Confederações em 2013, acompanham a seleção de Luiz Felipe Scolari, que volta ao comando do time depois da conquista do pentacampeonato. A ausência de nomes que façam a diferença pode custar o título ao Brasil, que espera a consagração nos pés de Neymar.  

A certeza é que os oito campeões têm história e talento para trilhar o caminho rumo ao título.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Uma manhã em Greenwich

Não podia deixar passar a oportunidade de conhecer um bairro bem diferente de tudo que já tinha visto em Londres e escolhi um dia para ir a Greenwich. A ideia que eu tinha era de que o bairro fosse distante do centro, quase fora da capital.

A primeira impressão se confirma e parece que estou em outra cidade, meio pacata e simpática, só que continuo em Londres, em um lugar cheio de histórias, onde viveu Henrique VIII e que proporciona vistas incríveis da cidade, buscadas, em vão, em Hampstead Heath, para onde fui após nove horas da noite de um domingo e não consegui alcançar o Parliament Hill - local que proporciona a melhor vista da cidade, dizem – o que me fez sair rapidamente do parque quase deserto ao anoitecer, ainda mais por estar na terra de Jack, o Estripador.

A chegada

Sou seduzida pelas casas e pelo comércio local pouco movimentado naquela manhã. Sigo em direção ao Greenwich Park e ao Observatório Real de Greenwich, onde está o Meridiano com o nome do bairro e que marca a hora mundial conhecido como Greenwich Mean Time (GMT). Adentro o parque, que já o sétimo que eu conheço em Londres. Uma das coisas que mais aprecio é a quantidade de verde por todos os lados, o que torna a vida mais calma e contemplativa numa metrópole com muitas coisas para fazer, mas que tem um parque único em cada canto, além de quase sempre estarem rodeados por outros locais imperdíveis.

 

O bairro
Caminhando pelo parque em direção ao Royal Observatory, a vista buscada vai tomando forma. Ao chegar ao topo, me deparo com um relógio que marca vinte e quatro horas, ao invés de doze, e vou direto para a Meridian Line, local que divide o mundo em Ocidente e Oriente e onde está escrito “stand with a foot in the East and the West”.

 

Greenwich Park

Royal Observatory lá no topo 

Greenwich Park

Vista de Londres do Greenwich Park. Uma das imagens mais belas que já vi na vida. Não por acaso, é a minha foto de capa no Facebook

O relógio que marca as vinte e quatro horas do dia. Adoro relógios, olhar as horas e queria um desses.
Existem coisas na vida que por mais clichês que sejam devem ser feitas. Então, procuro pelo Rio de Janeiro na linha do Ocidente, para depois colocar um pé de cada lado da linha e registrar esse momento. 

Brasil na linha do meridiano

Instruções

Um pé de cada lado
Ao sair do Royal Observatory, irei, finalmente, admirar a espetacular vista de Londres que tanto buscava. Dali vejo o seu ponto mais alto representado pelo The Shard, atualmente o prédio mais alto da cidade, encontro a Saint Paul´s Cathedral quase sumida entre as nuvens, a Greenwich Power Station, O2 Arena - onde pretendo assistir vários shows de rock - os imponentes prédios de Canary Wharf, que é o centro financeiro, o Royal Naval College, o icônico prédio The Gherkin e o rio dividindo essa paisagem do parque.

De tirar o fôlego! Os arranha céus, o verde, a catedral, o rio.

Prédios comerciais em Canary Wharf, um pedacinho do Tâmisa e Royal Naval College

Greenwich Power Station (prédio marrom com quatro torres) e, ao lado, Arena O2 (topo branco com lanças amarelas)
Ainda tenho o que fazer em Greenwich e passo pelo Cutty Sark, espécie de veleiro museu, visito o Discover Greenwich e estou próxima da beira do Tâmisa, onde fico ouvindo o barulho d’água batendo nas pedras, como se fosse numa areia de praia e penso o quão bom é ter um rio que integra a cidade e os seus moradores e que ainda propiciaria um passeio inesquecível que fiz logo depois.  


Royal Naval College

Cutty Sark

À beira do rio. Fiquei meia hora sentada ouvindo o barulhinho d´água e pensando sobre a maravilha que é poder navegar dentro da própria cidade 

 

Para deixar Greenwich, não há melhor transporte do que a travessia de barco. Vou para a parte superior, apesar do frio, para sentir o Tâmisa mais vivo e próximo de mim. A viagem é uma das melhores coisas que já fiz na vida. Apreciar a cidade sobre a água e sob as pontes, incluindo London e Tower Bridge, além de ficar cara a cara com os prédios de Canary Wharf e o HMS Belfast, navio da Marinha Real Britânica que participou da Segunda Guerra Mundial, para terminar no Westminster Pier, onde o London Eye de um lado e o Big Ben de outro me recebem. Tenho a certeza de que visitarei Greenwich mais vezes! 


Prédios de Canary Wharf

The Shard e navio HMS Belfast

Por debaixo da ponte

Ohhh Londres!

Chegando a Tower Bridge, mas ainda faltava tempo pro desembarque.
Próxima do desembarque no Westminster Pier...London Eye de um lado...



...Big Ben do outro, marcando o final de um dos passeios mais incríveis que já fiz na vida e que começou no lindo e querido bairro de Greenwich

terça-feira, 15 de abril de 2014

O meu Lollapalloza 2014

No domingo do dia 06 de abril foi o segundo e último dia da terceira edição de Lollapalloza Brasil, realizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, depois de duas edições no Jockey Club.


Eu e mais dois amigos optamos pelo transporte público para ir e para voltar do festival. Pegamos metrô e trem da CPTM, que nos deixou a vinte minutos do Autódromo. A CPTM disponibilizou mais trens e embarcamos tranquilamente, tanto na ida como na volta. O melhor de tudo isso é que, tanto a linha amarela do metrô, como a linha da CPTM que vai ao Autódromo, foi tomada pelo público do festival. Camisetas de variadas bandas, arcos de flores e camisas da seleção brasileira eram vistos e deixavam a certeza de se estar num festival.



Fazia um calor intenso de trinta e dois graus, que exigiu esforço, principalmente para pessoas que não fazem exercícios como eu.

Dentro do autódromo, mais caminhadas de um palco a outro. Exige-se mais de quem pretende assistir shows diferentes, fato comum e que diferencia um festival, mas em razão do espaço bem maior do que o Jockey, ficou mais fácil circular lá dentro e ver os shows do Palco Ônix, de onde vimos o Soudgarden no começo da noite, mesmo estando longe do palco.

O primeiro show que assistimos foi do quarteto feminino londrino Savages. A banda tem apenas um disco, Silence Yourself, lançado em maio de 2013. Revisitam o pós-punk inglês com identidade e agrada fãs de Siouxie and The Banshes e Joy Division, ingrediente que me agrada e fizeram com que eu virasse fã, tanto que o disco de estreia do grupo foi um dos que eu mais ouvi ano passado e a vinda delas se tornou um dos motivos para eu ir ao festival. As quatro integrantes entraram no palco, vestidas de preto, e o único item colorido era o sapato rosa da vocalista Jenny Berth. 

Savages
O sol escaldante e o visual das garotas poderia ter criado um anticlímax, não fosse a competência da banda ao vivo, executando quase todas as canções do disco Silence Yourself com perfeição, com destaque para She Will, No Face, City´s Full e Husbands, na bela voz de Jenny, que tem uma presença de palco incontestável e que faz falta a outros frontman/woman mais experientes e com anos de carreira nas costas. Além dela, as outras três integrantes tocavam com a energia de poucos e Jenny tentava se comunicar com a plateia, arriscando mais de três frases em português e agradecimento com "obrigada" várias vezes. 


Ao término do show, a sensação era de que poderia ouvi-las por mais uma hora, só que num lugar menor e fechado, repleto de fãs, vários deles conquistados nessa apresentação.



Depois do início “selvagem”, como jornalistas definiram a apresentação do Savages, paramos para comer e beber. Para esse ano, além das barracas de lanches e salgados, o festival criou o Chef´s Stage, no mesmo esquema do Chefs na Rua. A ideia deu certo e era possível degustar pratos de chefes conhecidos de restaurantes renomados por R$ 15,00 a R$ 20,00. O local funcionou muito bem, com espaço paro o público se alimentar lá dentro e o atendimento para adquirir fichas e comprar a comida foi rápido. Eu escolhi um risoto de lingüiça calabreza e hot dog francês.

Seguimos para o show do Pixies. Foi a segunda vez que vi a banda. A primeira foi no finado Festival SWU. A apresentação no Lolla foi melhor do que a anterior. A banda tem ótimas músicas, influenciou vários grupos, inclusive o Nirvana, que é uma das minhas bandas favoritas, mas não faz um show tão empolgante, porém, bastaram tocar sucessos como “Here Comes Your Man”, “Where is My Mind” e “Monkey Gone to Heaven” para fazer a alegria da galera no início da noite.





Mais caminhada para chegar até o palco onde o Soundgarden se apresentaria. A banda nunca esteve no Brasil e voltou com novo disco, King Animal, lançado em 2012. Ingredientes suficientes para lotar o palco. 

O Soundgarden fez parte do movimento grunge e colocou Seattle no mapa da música, junto com Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains. A minha paixão pelo rock alternativo começou com essas bandas no início dos anos noventa e não podia deixar de assistir o galã Chris Cornell desfilar canções que embalaram a minha adolescência. “Outshined”, “Black Hole Sun”, “Spoonman” e “Jesus Christ Pose” foram tocadas na primeira parte do show, que ainda teve “The Day I Tried to Live”, “Rusty Cage”, a balada “Blow up the Outside World” e “Fell on the Black Days”. Um ótimo show com um gosto de nostalgia. 



Saímos um pouco antes do término do show do Soundgarden para pegarmos o Arcade Fire desde o início. A banda veio ao Brasil em 2005, no extinto Tim Festival e tocou antes do Strokes!!! Quem diria? Anos de espera fez com que a banda lançasse, nesse período, mais três discos, entre eles, o recente Reflektor, um dos melhores de 2013. O álbum é inspirado no filme brasileiro Orfeu e a abertura do show trouxe imagens filme. 

A abertura magnífica com Reflektor, faixa-título do disco, antecipou e deu certeza de que seria um espetáculo da banda na sua melhor forma, com quatro discos ótimos e em plena forma no palco. O set list prestigiou músicas dos quatro discos. 

De Funeral, o primeiro e meu favorito, ouvimos Rebellion (Lies), três Neighborhood (Laika, Power Out e a belíssima Tunnels), Haiti e Wake Up, que falarei no final do texto. No Cars Go foi a única representante do denso Neon Bible. Para The Suburbs, escolheram Ready to Start e a faixa título, introduzida por Win Buttler como “uma música que fala sobre saudade”, a frase toda em bom português. As músicas de Reflektor funcionaram bem ao vivo e o “set list” ficou bem equilibrado, com momentos de todos os álbuns da carreira. No meio disso tudo, ainda teve trechos de "O Morro Não tem Vez" de Tom Jobim e "Nine of Ten" de Caetano Veloso. Como se não bastasse a qualidade sonora, as luzes do palco e as imagens do telão engradecem o show da banda, que até faz chuva de papel picado sem ficar brega.


Para o final, Wake Up, de Funeral, que fecha todos os shows da banda. Sonhava em cantar a letra e o Ooohh ooohhhh no começo e repetido no meio da canção ao vivo. Final apoteótico para um show perfeito de uma sinergia entre público e banda como poucas vezes eu vi. Era a última música e o término do festival, mas os momentos inesquecíveis ficarão para sempre, ainda mais sobre esse show que é um dos melhores da minha vida.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

As várias artes de David Bowie

reportagem que fiz e foi publicada originalmente na Revista Arruaça, da turma de Jornalismo Cultural, da pós-graduação em Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero


David Bowie 1_Renata Gomes
Crédito: Renata Gomes de Castro
A exposição de David Bowie, organizada pelo Victoria & Albert Museum de Londres, chegou a São Paulo no final de janeiro e ficará em cartaz até o dia 20 de abril no MIS (Museu da Imagem e do Som).
O acervo conta a história do cantor inglês que revolucionou a música e a cultura pop. Objetos, roupas, partituras e instrumentos musicais, dentre outros itens, podem ser vistos na mostra.
As roupas que estrelaram capas de disco e foram usadas em turnês são destaques na exposição. O macacão listrado, criado pelo estilista japonês, Kansai Yamamoto, para a turnê “Alladin Sane”, de 1973, a jaqueta “Union Jack”, nome da bandeira britânica, feita pelo estilista inglês Alexander McQueen e o smoking que impedia os movimentos do cantor, que contou com auxílio para ser retirado do palco em apresentação do programa “Saturday Night Live” em 1979, além de outros figurinos, comprovam a preocupação do astro com a sua imagem e a criatividade no campo da moda.
Ainda que os figurinos sejam destaque, a própria música de Bowie está representada em partituras musicais, letras de música e capas de disco, incluindo o encarte de “Next Day”, álbum lançado em 2013. Um dos fatores mais interessantes é receber um fone de ouvido para escutar as canções do músico durante a mostra. O aparelho é entregue logo no início e a música tocada muda de acordo com a sala de exposição. Além de músicas, há momentos em que ouvimos trechos de entrevistas do próprio Bowie ou de terceiros falando sobre a carreira do camaleão do rock.
Numa das salas, é possível tirar o fone para escutar o som alto dos telões que mostram trechos de shows. A vontade de ficar nela é enorme e o desejo de assistir a uma turnê do músico é ainda maior.
Arruaça-David Bowie 2 - Renata Gomes
Crédito: Renata Gomes de Castro
A veia artística para a sétima arte também faz parte do acervo, com fotos e imagens de filmes como “O homem que caiu na Terra”, a “Última Tentação de Cristo” em que interpreta Pilatos, e “Basquiat – Traço de uma vida”, em que encarna Andy Warhol, um dos artistas que mais influenciaram o músico, tanto que o clássico disco “Hunky Dory”, de 1971, tem uma música com o nome do cineasta e pintor. Com a citação de alguns personagens vividos pelo cantor no cinema, é possível constatar que a versatilidade do artista não se restringe à música.
Nessa esteira, importa destacar que o clássico do cinema “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick, inspirou a criação da personagem “Ziggy Stardust”, que revolucionou a história da música nos anos setenta, sendo que a temática pode ser ouvida e sentida no álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, de 1972, obra em que o artista mostra estar à frente de seu tempo.
Na última sala da exposição, nos deparamos com a infância do cantor e o começo de sua carreira musical. A placa da Stansfield Road, rua em que morou com a família em Londres – sua cidade natal – fotos 3×4 do cantor aos dez meses de vida, estão no mesmo espaço onde pode ser visto o primeiro instrumento musical de Bowie – um saxofone dado de presente pelo pai – e o violão usado no disco “Space Odity”, de 1969.
A exposição é uma viagem pela vida e arte de um dos maiores ícones do rock, que revolucionou a cultura pop e ainda contribuiu para o cinema, teatro e moda, com versatilidade e espírito inventivo, que permeiam toda sua obra. 
- See more at: http://casperlibero.edu.br/as-varias-artes-de-david-bowie/#sthash.rgA4PEPf.dpuf

quarta-feira, 2 de abril de 2014


O cockney e o afegão

Andando pela Oxford Street, entro em uma loja para comprar lembranças para amigos e parentes. O  atendente pergunta de onde eu sou. Respondo que sou brasileira, de São Paulo e começamos a conversar. Ele diz que acha muito diferente o português falado em Portugal e o nosso que, para ele, é mais bonito. Eu concordo com o fato de o nosso português soar mais bonito, mas digo que não vejo diferença entre os dois como se fossem idiomas distintos, mas apenas diferentes no sotaque, como o inglês britânico e o americano.

Oxford Street
  Ele me diz então que é do Leste da cidade e que fala uma espécie de dialeto chamado Cockney. Já havia escutado sobre o dialeto, mas foi naquela conversa que entendi um pouco o que era o “falar” Cockney. Conversamos sobre a vida em Londres, no Brasil e ele pergunta com o que eu trabalho. Respondo que sou advogada e futura jornalista. Ele acha fantástica a possibilidade de alguém ter duas profissões, mas diz que advogado tem mais respeito da sociedade e ganha melhor. Aí eu penso: até aqui? E acrescento que a advocacia deve ser uma das profissões mais estressantes na Inglaterra, no Brasil e no resto do mundo. E rimos!

Antes de ir embora, um homem da loja vizinha se aproxima e diz que eu sou uma cliente especial. Então pergunto se ele também é inglês e começo uma conversa para treinar o idioma. A resposta dele é “sou do Afeganistão, mas moro aqui há muitos anos”. Interesso-me por conversar com alguém daquele país e não há como me desvencilhar da ideia de como um afegão vive na Inglaterra - mesmo que sejam muitos imigrantes aqui - já que este país continua apoiando os Estados Unidos em suas investidas criminosas no país dele.

Fico feliz em saber que não é mais um europeu e digo que desejo viver em Londres um dia. Ele então me diz: “não tente, não tente”. Não me contenho e pergunto por qual razão ele não recomenda a mudança já que vive há anos na cidade, mas ele não tem resposta e cala-se se virando para a rua. Não insisto e agradeço a atenção deles por terem conversado comigo e me despeço. Ambos sorriem e dizem tchau em português e algo como besos.

Selfridges, incrível loja de departamentos, à esquerda, na Oxford Street