terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Os melhores encontros do Grammy 2014!

No último domingo aconteceu a entrega do Grammy, proclamado o maior prêmio da indústria da música. Divide opiniões como toda premiação e nem sempre quem ganha é quem realmente merece. Mesmo assim, como gosto muito de música e ainda que meus artistas favoritos, na maior parte do rock, não tenham tanto espaço na premiação desde meados dos anos noventa, não deixo de assistir ao evento.

Há tempos que a cerimônia não tinha tanto rock, diminuindo a participação de artistas de country e de pop.

Posso dizer que foi ótimo vir Black Sabath concorrendo aos prêmios de melhor canção de rock, melhor disco de rock e melhor disco de heavy metal, vencendo a última categoria com o álbum "13", que marcou a volta da banda com Ozzy.

Metallica tocando One com o pianista chinês Lang Lang e Kirk Hamett vestindo uma camiseta de Lou Reed, morto em 2013 e um dos grandes nomes do rock. Por ser uma apresentação com tempo certo para cada artista, "One" que tem cerca de oito minutos foi reduzida, o que não comprometeu o ótimo show da banda.

E não parou por aí. Um dos encontros mais esperados da noite e que emocionou os amantes da música, foi o reencontro já esperado de Paul McCartney e Ringo Star, que havia cantado solo antes de Paul e emocionado quem acompanhava o Grammy. Imagens dos quatro garotos de Liverpool apareciam no telão durante a execução de "Photograph" de 1973 que compõe o disco "Ringo". Os dois tocaram Queenie Eye, faixa do álbum “New” de Paul, lançado no ano passado e um dos melhores do ano na opinião minha opinião e na de diversas revistas também.

Como fã dos Beatles e não apenas por isso, mas por amar música e tentar acompanhar a história dela, poder assistir metade do que foi a melhor e mais famosa banda de todos os tempos num palco, é uma chance de presenciar a magia e o encanto que duas pessoas tão singulares e inigualáveis na música ainda podem causar. No final do show, os dois foram de mãos dadas para frente do palco, onde receberam aplausos de todo Staples Center de Los Angeles, inclusive de Yoko Ono e seu filho Sean Lennon que dançaram durante a música.

Um pouco fora das parcerias do rock, outro show marcado para a noite era o de Pharrell Williams e Daft Punk, grandes vencedores da noite. Get Lucky é a melhor música de 2013 e venceu a categoria de melhor gravação do ano, além dos prêmios de melhor atuação em duo e melhor disco de música eletrônica. Talvez o que ninguém esperava era que a parceria dos franceses e de Pharrell fosse cantada com Stevie Wonder e ambos fizeram a melhor apresentação da noite. Na plateia, Steven Tyler, Yoko Ono, Paul e Ringo se destacaram nas danças ao som de Get Lucky.

Depois de tantos encontros memoráveis, ainda faltava uma bandaça do coração no palco do Grammy, o Queens of the Stone Age, que se apresentou com Nine Inch Nails, Dave Grohl na bateria e Lindsey Buckingham do Fleetwood Mac na guitarra.  

Depois da execução de “Copy of A”, faixa do mais recente disco do NIN, "Hesitation Marks", o supergrupo emendou com “MY God is the Sun”, música do sexto trabalho dos californianos do deserto, intitulado Like Clockwork, que concorreu na categoria de melhor disco de rock. 

Tudo ia muito bem até que comerciais e créditos da apresentação apareceram na tela na parte final da música e a imagem da banda sumiu, restando apenas o som e os aplausos da plateia. Decepcionante a atitude do Grammy em cortar o show. Trent Reznor, do Nine Inch Nails não gostou nada e tuitou: “a maior noite da música para ser desrespeitado”. Bem isso. Mesmo com a falha, o encontro de NIN e QOTSA, com Dave Grohl e Fleetwood Mac foi a escolha perfeita para encerrar a noite do melhor Grammy em anos.

Abaixo, o vídeo de “My God is the Sun” tocada pela primeira vez ao vivo. Foi no Lollapalloza Brasil 2013 e eu presenciei esse momento. Sem nenhum corte!


sábado, 25 de janeiro de 2014

A beleza de São Paulo.

São Paulo fará 460 anos hoje, 25 de janeiro e recentemente foi escolhida uma das cidades mais feias do mundo, ocupando o nono lugar da pesquisa feita pelo guia de viagens norte-americano "U City Guides", sobre as cidades de grande concentração urbana e pouco ou nenhuma beleza natural. Los Angeles, Detroit e Houston nos Estados Unidos, Caracas na vizinha Venezuela e Cidade do México, a capital mexicana, também estão na lista. Curioso que nem a praia salvou L.A dessa e sobre São Paulo a matéria diz que "toda beleza natural foi para a vizinha carioca". Minha mãe ficou revoltada com a eleição.

Prédios e Masp

São Paulo realmente não é bonita. Há lugares considerados bonitos, mas a natureza não foi generosa com a capital gastronômica e cultural do Brasil. Apesar de não ser um conjunto de beleza, considero belíssimos alguns prédios e lugares da cidade: Ibirapuera ou “Ibira” para paulistanos como eu, a Catedral da Sé e a Paulista. Além de locais que não precisam ser bonitos, mas que oferecem baladas e bares incríveis como a Augusta.

O coração financeiro e moderno presente na avenida mais famosa e mais bonita da cidade é o meu lugar favorito. É a única avenida em que ando a pé, por metros e metros. Um passeio nela só vale desse jeito, aliás. De carro é chato!  O vai e vem dos engravatados, dos cachorros, dos alternativos, dos artistas de rua e passar em frente ao prédio da Gazeta, onde fica a Cásper, pela FNAC, MASP, Livraria Cultura, prédio da FIESP que, à noite, ilumina a avenida com jogo de luzes e temas dependendo do momento da cidade, parque Trianon-Masp, grafite nos seus muros, Casa das Rosas, Bella Paulista, que não é bem na Paulista, os bares e as travessas que chegam a ela e me encantam. Sinto-me viva quando caminho naquele asfalto. Pode parecer estranho ler isso, até para quem mora nessa selva. O que dirá então quem não vive aqui e ainda tem a sorte de contemplar beleza natural por todos os lados?

Paulista
Grafite
O meu primeiro emprego foi no número 688 da Paulista. Lembro-me de ter a vontade de encontrar um emprego para ter o meu próprio dinheiro, relação de trabalho, conhecer pessoas e todas essas coisas que falam que precisamos ter na vida, quando querem nos convencer de que temos de trabalhar, porque dignifica e enobrece o homem e blá, blá, blá, mas eu desejava que o emprego fosse na Paulista. Era como se eu pudesse ficar mais feliz! E deu certo! É o único lugar em que tenho o maior prazer em trabalhar de novo, já que é importante considerar a distância entre casa, trabalho e cursos depois do horário de expediente numa cidade do tamanho de São Paulo.

A Catedral da Sé é a construção mais linda na minha opinião. Entro na igreja sempre que passo pela região e adoro admirar a arquitetura interna e externa, formada por colunas em estilo gótico, bem no centro da cidade, onde está o marco zero. A cúpula em tom verde da catedral embeleza a capital, sendo um refúgio de paz e oração em meio a tanto esquecimento e descaso como é a região da Sé.

Fachada da Catedral da Sé

Destaque para a cúpula da catedral

Arcos da igreja

Interior da Catedral da Sé

O Ibira é o parque mais bonito! Fato! Mais “Ibiras” tornariam São Paulo mais atraente. Não tenho dúvidas de que a ausência de verde numa cidade desse tamanho é o que a torna menos convidativa, pois faltam espaços púbicos para correr, fazer piquenique andar de bicicleta ou caminhar em ambiente seguro e tranquilo. Mais verde na megalópole seria perfeito, tanto que a pesquisa citada no início elegeu as cidades que têm poucas áreas com parques e praças, tomadas em quase sua totalidade por prédios residenciais e comerciais. 

Ibira

Vista do Monumento às Bandeiras

As flores do Ibira

Praça da Paz - Ibirapuera
Um dos lagos do Ibira


Não menos belo que o Ibira, o Parque da Independência é outra área verde, que já abrigou shows como o do Franz Ferdinand, onde está localizado o Monumento à Independência e o Museu do Ipiranga, um acervo sobre a história do Brasil e uma construção imponente no alto do parque. O museu foi fechado há poucos meses para reforma, sem data para reabertura. O que seria um passeio completo de parque + museu ficará suspenso, sobrando apenas o passeio pelo primeiro, até que as autoridades façam a manutenção do prédio e cuidem melhor do que faz parte da história de São Paulo, como do Brasil.

Monumento à Independência

Museu do Ipiranga

Parque da Independência
E a minha cidade natal seria menos querida sem a Galeria do Rock. Como amante do gênero musical, um passeio pela Galeria é como se eu estivesse num parque de diversões visitando as lojas cada vez mais cheias de vinis e tudo relacionado ao rock, onde não se encontra em outro canto da cidade. Um passeio ideal para um sábado é saborear o bauru do Ponto Chic e andar poucos metros em direção à galeria e ficar lá por horas.

Galeria do Rock
Uma caminhada pelo centro velho nos permite andar por ruas de tráfego de pessoas apenas, como a Direita, até chegar ao prédio do Banespa, Teatro Municipal ou Mosteiro de São Bento. Um pouco mais adiante, no sentido da Zona Norte, encontramos a estação da Luz e a Pinacoteca, que são símbolos de história e cultura bem no começo do corredor norte e sul da capital. 

Lugares como esses, deixam a minha São Paulo mais bonita, mesmo que o conjunto arquitetônico seja bagunçado e pouco atraente e em grande parte do dia ela seja mais cinza do que azul, o que não me abala.

Quais são ou seriam os lugares mais bonitos da cidade e o que poderia ser feito para que São Paulo ficasse mais bela e agradável para os moradores e, também, aos que estão de passagem?

FOTOS: arquivo pessoal

domingo, 19 de janeiro de 2014

Revendo Kubrick! 

A exposição sobre Stanley Kubrick entrou em cartaz no MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo em outubro de 2013 e terminou no dia 12 de janeiro desse ano. 

Admiro o trabalho do diretor novaiorquino e Laranja Mecânica é um dos meus filmes favoritos. Fiquei ansiosa para entrar no universo de Kubrick a cada matéria que lia sobre a exposição. O trabalho realizado pelo museu em parceria com a Mostra Internacional de Cinema é riquíssimo e nos permite "fazer parte" dos cenários criados pelo diretor. Fui com meu pai conferir a exposição e saímos com a sensação de termos assistido a mais uma obra impactante de Kubrick.

Cada filme ocupa uma sala que termina na entrada para outra seção. A temática de cada espaço é composta de objetos originais dos filmes, além de cadernos de anotações do diretor contendo diálogos e desenhos de cenários, inúmeras fotos que captam o dirigir de Kubrick, em cenas de estúdio e externas, além de conversas com os atores e equipe. 

Uma das salas mais concorridas é a de "O Iluminado", um dos melhores e mais aterrorizantes filmes de terror de todos os tempos. Criaram os corredores do hotel Overlook, onde se passa o filme. Inúmeras portas que devem permanecer fechadas - seguindo a orientação dos monitores do museu - para que cada visitante se depare com o que há dentro dela. Ao abrir cada porta, encontramos os vestidos azuis e os sapatos pretos usados pelas meninas que assombram o hotel, a blusa de lã vestida pelo garoto Danny e o machado usado por Jack Nicholson numa das cenas mais emblemáticas da história do cinema.  

Há portas com o aviso "don´t disturb" que remete automaticamente a cena em que o cozinheiro do hotel orienta Danny a não entrar no quarto 237. O passeio pelos corredores do hotel é embalado pela trilha sonora do filme, causando certa apreensão como se estivéssemos assistindo à cenas do longa e aguardando pelos próximos acontecimentos dentro do hotel, com cada toque da música a guiar os passos dos habitantes do Overlook e da câmera de Kubrick. 

Outra experiência em que a trilha sonora nos transporta para o cenário do filme e causa o mesmo suspense quando o assistimos, ocorre no espaço dedicado a "De olhos bem fechados", último filme da carreira do diretor, estrelado por Tom Cruise e Nicole Kidman, quando ainda formavam um casal. A sala é composta de espelhos e máscaras venezianas, com pouca luz, criando um ambiente sensual, misterioso e chique. 

Como amante da música que sou, a trilha sonora cria momentos inesquecíveis para um filme e Kubrick foi um dos diretores que mais soube utilizar a canção perfeita para toda cena criada. É impossível passar pelas salas da mostra e não dedicar a mesma atenção à música tocada e aos itens exibidos que fizeram parte dos cenários de seus filmes.

O macacão branco e o chapéu preto de Alex Delarge, personagem de Malcon McDowell em Laranja Mecânica, podem ser observados com a mesma atenção dada à música clássica tocada no filme e na exposição, pontuando as ações dos "drugues", alcunha da gangue de Alex. 

Assim como os elementos de cena de 2001, Uma Odisseia no Espaço, onde está o Oscar de Melhores Efeitos Visuais recebido pelo diretor, são observados ao som da trilha impactante desse clássico do cinema. O mesmo acontece com Lolita, Spartacus, Glória Feita de Sangue.


Depois da viagem pelo universo de um gênio da história da sétima arte, com um gosto musical sedutor, assisti "O Iluminado" e pretendo rever os outros filmes de Kubrick. Essa prática é a mesma que adoto depois de assistir a um show, quando parto para a audição da discografia do artista. Afinal, bons filmes e boa música devem ser vistos, revistos e ouvidos frequentemente.

Fotos: arquivo pessoal






quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Enfim, meu blog!


Me formei em Direito, mas sempre quis ser jornalista. Em 2013 decidi começar a pós-graduação em Jornalismo, que impulsionou a criação do blog. Mesmo com a vontade de escrever e, de fato, fazer isso como advogada, o desejo de mudança e de realizar o sonho de me tornar jornalista ficou cada vez mais intenso. Escrever linhas e linhas nos liberta, de alguma forma, ainda mais quem sempre opinou, comentou, é curiosa e quer saber sobre as pessoas, sobre a vida.

Música, viagens e Londres estão entre as minhas paixões. Quem me conhece, sabe que gosto de conversar muito sobre os três, então, vou falar deles aqui. Porém, minhas impressões, desejos e convicções não ficarão restritos à essas paixões. A vida em São Paulo, que ainda amo, também será tema do blog. 

O que me interessar, me irritar, me despertar, me inspirar e puder melhorar, poderá ser escrito também.